Cooperativa de artesanato criada em presídio feminino do Pará

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Cooperativa de arte feminina - XI Prêmio Innovare 2014 - Foto Marco Zaoboni-009
Na disputa: cooperativa de artesanato criada em presídio feminino do Pará – Divulgação / Marco Zaoboni Photography

BRASÍLIA — No Pará, as detentas de uma unidade prisional de Ananindeua têm ao seu alcance uma possibilidade de superação, de perspectiva de futuro e de ainda assegurar renda. No Centro de Reabilitação Feminino, funciona a primeira cooperativa de presas do país. Elas aprendem, produzem e comercializam produtos de artesanato feitos de crochê, bordado e patchwork. Além de o trabalho assegurar a diminuição na pena de cada uma, garante um ofício para quando deixarem o cárcere. Elas retiram uma renda mensal de até R$ 1,5 mil. Essa é uma das três iniciativas que concorrem hoje, na categoria especial, ao Prêmio Innovare.

Esta 11ª edição do Innovare contou com a inscrição de 367 projetos e, desse total, 18 práticas foram selecionadas para concorrer nas seis categorias — três em cada: Tribunal, Juiz, Ministério Público, Defensoria Pública, Advocacia e Prêmio Especial. A região Nordeste tem o maior número de concorrentes entre os finalistas, com 7 experiências. Os temas finalistas envolvem problemas de violência contra a mulher, ações de recuperação e ressocialização de detentos jovens e adultos, além de questões ligadas à Justiça de família, à Saúde e à garantia de moradia. A solenidade acontecerá no Supremo Tribunal Federal (STF).

A diretora do presídio feminino do Pará, a advogada Carmem Lúcia Gomes Botelho, diz que as oficinas de artesanato com as detentas começou em outubro de 2013. A cooperativa conta hoje com 25 presas, e há ainda uma fila de espera de cerca de cem internas que querem participar do projeto. Carmen diz que 70% das 538 mulheres que estão na unidade se envolveram com o tráfico de drogas.

— Essas mulheres entraram nesse universo da droga justamente por falta de oportunidade. Elas repetem isso o tempo inteiro. E o artesanato está virando uma alternativa real. Elas se empenham no curso, conquistam a autoestima e uma fonte de renda digna — conta.

Outra iniciativa finalista é a de desativar manicômios de Sorocaba (SP) que apresentam condições precárias. Trata-se de instalações lotadas, com pessoas confinadas, nuas e que convivem num ambiente em que não é incomum a presença de fezes e urina. Desde que o projeto começou, no fim de 2012, de um total de cerca de 3 mil pessoas, 700 já deixaram esses locais e foram transferidas para residências terapêuticas, que oferecem condições dignas de tratamento e vida.

Uma das responsáveis por esse projeto, a promotora Lidia Helena da Costa Passos, do Ministério Público de São Paulo, diz que Sorocaba vivia uma situação “surreal” e que foi necessária uma força-tarefa:

— Foi feito um grande acordo para permitir essa desinstitucionalização dos internos. O Brasil estava sendo acionado num órgão internacional por conta desse quadro gravíssimo de ofensa aos direitos humanos. O manicômio era como se fosse uma prisão.

No Maranhão, filhos de detentos que não estão oficialmente registrados ou reconhecidos estão tendo a situação regularizada. Em um dia, a criança recebe o registro e pode passar a visitar o pai. Em São Paulo, outro projeto criou o apadrinhamento voluntário de presos, no qual casais, após receberem treinamento adequado, prestam assistência aos detentos e suas famílias. O objetivo é inserir o preso num ambiente familiar e, assim, facilitar sua recuperação psicossocial.

A comissão julgadora avalia os projetos por critérios como eficiência, celeridade, qualidade, criatividade e ineditismo.

Fonte: O Globo

http://oglobo.globo.com/brasil/dezoito-experiencias-chegam-final-do-11-premio-innovare-14843233

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